12 de agosto de 2022



Marcos Troyjo esteve em Vitória e disse acreditar
que o forte crescimento de China e Índia vão beneficiar muito o Brasil, que
deve ver sua renda cresce

Marcos Troyjo, presidente do Novo Banco de
Desenvolvimento (NDB), mais conhecido como Banco dos Brics (Brasil, Rússia,
Índia, China e África do Sul), esteve em Vitória na semana que passou em evento
realizado pela consultoria Vieira & Rosenberg e Valor Investimentos. Embora
reconheça que o momento seja de muitas turbulências, ele está otimista.
“Esse tipo de cenário internacional que se descortina é muito favorável
para o Brasil. O mundo vai precisar de comida e infraestrutura”.

Troyjo faz, entretanto, um alerta sobre as
necessárias reformas estruturantes. “O Brasil pode se reconfortar nessas
rendas adicionais que virão na forma de superávit comercial e não fazer as
mudanças estruturais ou, pelo contrário, pode usar essa injeção de recursos
para fazer a diversificação da sua economia, e aumentar o nível de
investimentos em pesquisa e desenvolvimento que é o grande motor do aumento da
produtividade”.

Sobre as eleições de outubro, o diplomata afirma
que as potencialidades brasileiras são mais fortes e atraentes do que os ciclos
políticos.

Estamos em um momento bastante intrincado no planeta.
Pandemia, guerra, inflação, crise econômica, populismo… Mas mesmo assim o
senhor se mostra otimista. Quais são os motivos?

Estou olhando as coisas a partir de uma perspectiva
brasileira. Há uma mudança estrutural no mundo, em que a principal fonte de
crescimento serão as economias emergentes com grande contingente populacional e
com renda média baixa. 

Quando o crescimento se dá a partir de um nível tão
baixo, esse espaço entre o momento atual e o momento futuro é um espaço em que
a renda adicional é direcionada para o consumo de alimentos e ao investimento
em infraestrutura. David Ricardo, um economista do século XIX, dizia que países
tinham vantagens comparativas. 

Quais são as do Brasil? O agronegócio e a
produção de insumos para a indústria siderúrgica. Portanto, esse tipo de
cenário internacional que se descortina é muito favorável para o Brasil. O que
pode acontecer: o Brasil pode se reconfortar nessas rendas adicionais que virão
na forma de superávit comercial e não fazer as mudanças estruturais ou, pelo
contrário, pode usar essa injeção de recursos para fazer a diversificação da
sua economia, e aumentar o nível de investimentos em pesquisa e desenvolvimento
que é o grande motor do aumento da produtividade. As condições externas são
muito boas para o Brasil. Não é para todo mundo, mas é para o Brasil.

LEIA TAMBÉM: 

O senhor diz que o Brasil pode virar a Arábia
Saudita dos alimentos. O que isso significa?

É isso mesmo, o Brasil vai virar a Arábia Saudita
dos alimentos. Muitos países do Oriente Médio viraram países de alta renda –
Catar, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Bahrein, Omã – baseados na produção e
exportação de combustível fóssil. No caso do Brasil, a principal fonte de
receita será o comércio de alimentos. Num cenário em que países com grande
população vão crescer muito, o Brasil está “fadado” a acumular
sucessivos superávits comerciais ao longo do tempo. Isso ajudará o Brasil a ter
os recursos necessários para fazer os investimentos em capacitação e
requalificação da sua força de trabalho na sua neo-industrialização. Claro, se
bem utilizados os recursos, afinal, o Brasil pode desperdiçar essa oportunidade
assim como já desperdiçou em outras ocasiões.

“Num cenário em que países com grande
população vão crescer muito, o Brasil está “fadado” a acumular
sucessivos superávits comerciais ao longo do tempo”

Marcos Troyjo

CEO do Banco dos Brics

O que fazer para não desperdiçar? Onde precisamos
mexer?

Reforma tributária. Não pela questão de quanto
pagamos, mas, sobretudo, é preciso mexer na complexidade do sistema. Temos a
questão do ambiente de negócios. Recentemente tivemos a lei da liberdade
econômica, que diminuiu muito o tempo para abertura e fechamento das empresas,
mas é importante prosseguir na agenda. O Brasil também precisa de mais acordos
internacionais de comércio. É uma agenda que pode destravar, por exemplo, os
investimentos em tecnologia e inovação. O Brasil está investindo, há algum
tempo, 1% do PIB no setor. Os países da OCDE (Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico) investem 2,5%. Isso que dá aumento de produtividade,
quanto mais produtividade tivermos, mais teremos razões internas para aumento
de renda, que é o que interessa ao Brasil. Ao longo do tempo o Brasil cresceu
muito por conta do consumo do mercado interno, isso vai continuar, temos 210
milhões de habitantes, mas é preciso diversificar. O consumo do mercado externo
vai nos ajudar e os investimentos em infraestrutura, que já estão contratados,
também. E aí vem uma quarta força, que gera os maiores ganhos, que é o
crescimento por inovação. Aqui, infelizmente, o Brasil não tem feito a sua
lição de casa, são várias as dificuldades. É o que está faltando para termos um
crescimento sustentado.

Como o senhor enxerga esse cenário de polarização
política no país e de que maneira as eleições de outubro influenciam este
cenário traçado?

No caso do Brasil, as potencialidades serão sempre
mais fortes e atraentes do que as oscilações naturais dos ciclos eleitorais.

Então o senhor não enxerga nenhuma possibilidade de
ruptura ou quebra de ciclo?

O Brasil está numa rota para continuar sendo um dos
cinco maiores destinos de investimento estrangeiro direto.

“E aí vem uma quarta força, que gera os
maiores ganhos, que é o crescimento por inovação. Aqui, infelizmente, o Brasil
não tem feito a sua lição de casa, são várias as dificuldades”

Marcos Troyjo

CEO Banco dos Brics

O senhor é presidente do Banco dos Brics. Como o
Brasil está sendo percebido lá fora?

O Brasil é uma superpotência agrícola, é uma
superpotência ambiental, tem dimensões continentais, é um líder regional, é
quarta maior economia do mundo emergente, é a oitava maior economia do mundo,
portanto, não importa o tabuleiro em que você esteja jogando, o Brasil é um
jogador importante. Em tempos mais recentes há uma questão adicional que é a
dimensão da pujança brasileira como fornecedor de dois elementos fundamentais
para você atacar a dupla crise: segurança alimentar e segurança energética. O
Brasil tem a matriz energética mais limpa do mundo, tem uma adoção consolidada
de combustíveis alternativos e, hoje, de cada cinco pratos de comida servidos
no mundo, um é produzido no Brasil.

FONTE: AGAZETA.COM.BR


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