12 de agosto de 2022


O registro de um novo caso de raiva humana após 44 anos sem ocorrências em Brasília fez com que o Governo do Distrito Federal (GDF) reforçasse as barreiras contra o vírus rábico nas 33 regiões administrativas do DF. A antecipação da campanha de vacinação antirrábica de cães e gatos em 3 de julho se soma aos trabalhos de monitoramento da doença no Laboratório da Raiva, em atividade na Vigilância Ambiental de Zoonoses desde 1979.

O Laboratório da Raiva faz análise de materiais pós-morte colhidos de animais com suspeita de raiva | Fotos: Joel Rodrigues/Agência Brasília

Tanto em áreas urbanas quanto em rurais, a orientação é que todos os animais saudáveis de estimação sejam imunizados gratuitamente nos postos de vacinação (Vacinação Antirrábica 2021 – Secretaria de Saúde), mesmo os que já tenham sido vacinados há menos de um ano – período de proteção do antídoto. Atualmente há disponíveis 180 mil doses da antirrábica nos frigoríficos da Secretaria de Saúde, sendo outras 300 mil já solicitadas ao Ministério da Saúde para a campanha.


“Dado o risco de mortalidade pelo vírus da raiva, todo acidente ou contato suspeito com animais deve ser imediatamente tratado e comunicado às autoridades sanitárias para acompanhamento do caso”
Laurício Monteiro Cruz, diretor substituto da Vigilância Ambiental em Saúde

Letal em 99,9% dos casos, a raiva é uma doença infecciosa de origem viral que acomete mamíferos, o que inclui cães, gatos, bovinos, equinos, suínos e animais silvestres, como macacos. Aves não transmitem raiva. O vírus fica presente na saliva de animais infectados e é transmitido principalmente por meio de mordeduras e, eventualmente, pela arranhadura e lambedura de mucosas ou pele lesionada.

“Dado o risco de mortalidade pelo vírus da raiva, todo acidente ou contato suspeito com animais deve ser imediatamente tratado e comunicado às autoridades sanitárias para acompanhamento do caso, tanto da parte humana quanto da animal”, orienta o diretor substituto da Vigilância Ambiental em Saúde, Laurício Monteiro Cruz.

O tratamento humano a que se refere o sanitarista é lavar bem o ferimento com água e sabão para retirada das moléculas do vírus deixadas na superfície pelo animal e procurar imediatamente uma unidade de pronto atendimento (UPA) para tomar a vacina antirrábica ou o soro. A vacina estimula a produção de anticorpos que vão combater a doença. O soro é o próprio anticorpo já produzido e aplicado em casos que necessitem uma ação mais rápida e emergente.


O bloqueio vacinal e de análise de possíveis casos de doença no DF é feito por meio de um trabalho integrado de órgãos capitaneado pela Secretaria de Saúde

É na Gerência de Vigilância Ambiental de Zoonoses, no Setor Noroeste, que funciona o Laboratório da Raiva. O espaço faz análise de materiais – parte do encéfalo – pós-morte colhidos de animais com suspeita de raiva no monitoramento de casos, produção de estudos e pesquisas relacionadas ao tema.

É muito importante procurar atendimento, por mais simples que possa parecer o ferimento e sem nenhum sintoma aparente, já que o vírus pode ficar incubado por meses até que se manifeste. “Todas as nossas atitudes (após o registro do caso de contaminação) foram rápidas e vacinar os animais é a principal delas, diante de tantas possibilidades de contágio”, explica Laurício Monteiro.

O bloqueio vacinal e de análise de possíveis casos de doença no DF é feito por meio de um trabalho integrado de órgãos capitaneado pela Secretaria de Saúde, entre eles as secretarias de Agricultura e de Meio Ambiente, a Emater e a Fundação Jardim Zoológico de Brasília, com apoio científico da Universidade de Brasília (UnB) e unidades particulares, além de médicos veterinários.



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