12 de agosto de 2022




Conclusões foram apresentadas após a análise clínica de 197 pacientes em
Londres

Uma pesquisa científica identificou novos sintomas
relacionados ao surto atual de varíola dos macacos: dor na região retal e
inchaço no órgão genital masculino
. As conclusões foram apresentadas após a
análise clínica de 197 pacientes em Londres entre maio e julho de 2022.

– Novas manifestações clínicas da infecção por
varíola dos macacos foram identificadas, incluindo dor retal e edema peniano.
Essas apresentações devem ser incluídas nas mensagens de saúde pública para
auxiliar no diagnóstico precoce e para reduzir a transmissão – indicam os
pesquisadores.

Segundo o estudo, publicado na revista British
Medical Journal, dos 197 participantes da pesquisa, todos eram homens e apenas
um não fazia sexo com outros homens
. A média de idade dos pacientes
investigados era de 38 anos. Todos apresentavam lesões cutâneas, principalmente
nos genitais ou na região perianal. Oito pacientes apresentavam mais de cem
lesões. Boa parte também relatou sintomas como febre e dor.

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Um terço dos participantes (71) relatou dor na
região do ânus, 16,8% tiveram dor de garganta e 15,7% edema (inchaço) no órgão
genital. Lesões na boca atingiram 27 pacientes (13,7%), de acordo com a
pesquisa.
Vinte pacientes foram internados no hospital para controle dos
sintomas.

– Essas descobertas confirmam a transmissão
comunitária sem precedentes em andamento do vírus da varíola entre gays,
bissexuais e homens que fazem sexo com homens no Reino Unido – concluíram os
pesquisadores, ligados à Fundação Guys and St Thomas, do Serviço Nacional de
Saúde do Reino Unido.

Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde
(OMS) recomendou que “homens que fazem sexo com homens” diminuam o número de
parceiros, de relações sexuais e de exposição ao vírus.

O estudo também aponta que só um quarto dos
pacientes relatou ter tido contato com alguém com infecção confirmada por
varíola, levantando a possibilidade de transmissão entre pessoas assintomáticas
ou com poucos sintomas.

– A compreensão dessas descobertas terá grandes
implicações para o rastreamento de contatos, conselhos de saúde pública e
medidas contínuas de controle e isolamento de infecções – afirmam os
pesquisadores.

Eles também destacam que o crescimento contínuo do
surto pode levar à disseminação para populações vulneráveis, incluindo
indivíduos imunocomprometidos e crianças.

– As implicações disso ainda não são compreendidas.

No Brasil, o Ministério da Saúde confirmou na
sexta-feira (29), a primeira morte por varíola dos macacos. Trata-se de um paciente
do sexo masculino, de 41 anos, com “imunidade baixa” e “comorbidades, incluindo
câncer (linfoma)”, que levaram ao agravamento do quadro, de acordo com a pasta.

*AE


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