9 de agosto de 2022


Esse ambiente mais difícil se expressa também no comportamento das moedas – a saída de capital acompanha a piora na percepção de risco. Elas têm perdido valor frente ao dólar norte-americano diante do movimento dos investidores de buscar ativos mais seguros nos EUA com a alta dos juros. Em junho, o dólar já subiu 10,55% em relação ao real até a última sexta-feira (24).

“A inflação nos Estados Unidos tem sido mais alta (do que o esperado). O Fed aumentou os juros em 0,75 ponto percentual, o que acaba pesando sobre as moedas”, diz Marco Maciel, sócio e economista da Kairós Capital.

 

Por que o Brasil sofre mais?

 

Na leitura de Maciel, o Brasil lida com o “mal de liquidez”, ou seja, por ser uma grande economia, tem mais entrada e saída de recursos quando comparado com outros países, o que provoca a oscilação da moeda e do risco-país. Dessa forma, a economia brasileira sente mais as mudanças de cenário global.

“A alta de juros lá fora responde por 65% do movimento de desvalorização recente do real”, diz o sócio e economista da Kairós Capital.

O Brasil sofre ainda com incertezas internas que despertaram a preocupação recente dos investidores. As principais dúvidas são se o governo Jair Bolsonaro (PL) e o Congresso vão intervir na política de preços da Petrobras e qual será o custo fiscal para conter a alta dos preços dos combustíveis.

De olho na reeleição, a alta do preço da gasolina e do diesel se tornou um problema para Bolsonaro, que está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Desde 2019, quando assumiu, Bolsonaro já indicou quatro presidentes para a Petrobras – a última escolha foi a de Caio Paes de Andrade.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), chegou a debater alterações na lei das Estatais, também numa tentativa de controlar os preços dos combustíveis – a lei foi sancionada durante o governo de presidente Michel Temer e tem como um dos objetivos evitar que setores do Executivo e de partidos políticos interfiram na gestão das estatais.

O mercado também se debruça sobre qual pode ser o custo fiscal das medidas adotadas pelo governo federal para mitigar a alta dos combustíveis no custo de vida do brasileiro. O governo tem sinalizado com a criação de um “voucher caminhoneiro” e aumentos do vale-gás e do Auxílio Brasil.

“No caso do Brasil, os movimentos de junho incomodaram os mercados. Houve mobilização (do governo e Congresso) em torno do preço dos combustíveis, com movimentos forçados de troca no comando (da Petrobras) e possíveis mudanças na lei das Estatais”, diz Campos Neto.

 





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